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Saúde

Anvisa aprova Wegovy em comprimidos para tratar obesidade; veja como funciona e quando chega às farmácias

Nova versão da semaglutida será tomada uma vez ao dia e apresentou perda média de 13,6% do peso corporal em estudo clínico; medicamento ainda não tem preço definido no Brasil.

Caixas do medicamento Wegovy, à base de semaglutida, em uma farmácia de Londres. A versão injetável já é comercializada no Brasil, enquanto a apresentação em comprimidos recebeu aprovação da Anvisa nesta quarta-feira (4). Foto: REUTERS/Hollie Adams/Arquivo (08/03/2024).

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, nesta quarta-feira (4 de novembro), o registro do Wegovy em comprimidos, medicamento utilizado no tratamento da obesidade e do sobrepeso associado a problemas de saúde. A decisão representa uma nova alternativa para pacientes que, até agora, contavam apenas com a versão injetável do produto no mercado brasileiro.

Fabricado pela farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk, o medicamento contém semaglutida, princípio ativo que atua nos mecanismos responsáveis pelo controle da fome e da saciedade. A principal novidade está na forma de administração: enquanto a versão injetável exige aplicações semanais, o comprimido deverá ser ingerido diariamente.

A autorização foi formalizada pela Resolução-RE nº 4.249/2026, publicada no Diário Oficial da União. A nova apresentação ainda não está disponível nas farmácias brasileiras e não possui preço anunciado. Exame+2

Como funciona o Wegovy em comprimidos?

A semaglutida pertence à classe dos medicamentos conhecidos como agonistas do receptor GLP-1. Ela reproduz parte da ação de um hormônio produzido naturalmente pelo organismo, que participa do controle do apetite e da ingestão de alimentos.

O medicamento ajuda a aumentar a sensação de saciedade, reduzir a fome e retardar o esvaziamento do estômago. Esses efeitos podem favorecer a redução da quantidade de alimentos consumidos e, consequentemente, a perda de peso.

Na versão oral, o tratamento começa com doses menores, que são aumentadas gradualmente, conforme a orientação médica:

  • 1,5 mg na etapa inicial;
  • 4 mg e 9 mg nas etapas seguintes;
  • 25 mg como dose diária de manutenção recomendada.

O comprimido deverá ser ingerido em jejum, com uma pequena quantidade de água. Depois, o paciente precisará aguardar pelo menos 30 minutos antes de consumir alimentos, bebidas ou outros medicamentos.

A administração correta é importante porque a absorção da semaglutida pelo sistema digestivo é limitada.

Estudo apontou perda média de 13,6% do peso

A aprovação do medicamento foi sustentada principalmente pelos resultados do estudo clínico OASIS 4, publicado na revista científica The New England Journal of Medicine.

A pesquisa avaliou 307 adultos com obesidade ou sobrepeso associado a problemas de saúde, divididos entre participantes que receberam semaglutida oral e aqueles que utilizaram placebo.

Redução média do peso corporal após 64 semanas

ESTUDO CLÍNICO OASIS 4

Quanto peso os pacientes perderam?

Redução média do peso corporal após 64 semanas de tratamento.

Semaglutida oral 25 mg
13,6%
Redução média do peso
Grupo placebo
2,2%
Redução média do peso

Barras proporcionais em escala de 0% a 15%. Os resultados representam médias observadas no estudo e não garantem o mesmo resultado para todos os pacientes.

Fonte: Estudo OASIS 4, publicado no New England Journal of Medicine, 2025.
Infográfico: G Notícias

Fonte: estudo OASIS 4, publicado em setembro de 2025. New England Journal of Medicine

Os resultados também demonstraram melhorias em indicadores de saúde cardiometabólica e na capacidade funcional dos participantes tratados com a medicação.

Apesar dos resultados positivos, os percentuais representam médias observadas durante a pesquisa e não significam que todos os pacientes apresentarão o mesmo emagrecimento.

Quem poderá utilizar o medicamento?

A autorização da Anvisa contempla adultos com obesidade, caracterizada por índice de massa corporal (IMC) igual ou superior a 30, e pessoas com sobrepeso, com IMC a partir de 27 e inferior a 30, desde que apresentem pelo menos uma condição clínica associada ao excesso de peso.

Entre essas condições estão hipertensão, alterações do colesterol, diabetes tipo 2 e apneia obstrutiva do sono.

O medicamento deverá ser utilizado como complemento de uma alimentação com redução de calorias e da prática regular de atividade física, com acompanhamento profissional.

Existem efeitos colaterais?

Assim como acontece com a versão injetável, a semaglutida oral pode provocar reações adversas, principalmente gastrointestinais.

Entre os efeitos possíveis estão náuseas, vômitos, diarreia, constipação e desconforto abdominal.

No estudo OASIS 4, eventos adversos gastrointestinais foram registrados em 74% dos participantes que receberam semaglutida, contra 42,2% entre aqueles que utilizaram placebo.

O uso exige avaliação médica, especialmente em pessoas com doenças preexistentes ou que utilizam outros medicamentos. PubMed

Quando o Wegovy em comprimidos chegará às farmácias?

Embora o registro tenha sido aprovado, a liberação sanitária não significa que o produto estará disponível imediatamente para compra.

Segundo informações divulgadas pela Novo Nordisk à imprensa, a expectativa é que a nova apresentação chegue ao mercado brasileiro nos próximos trimestres. A fabricante ainda não anunciou o preço nem uma data definitiva para o início das vendas. Folha de S.Paulo+1

A comercialização dos medicamentos da classe GLP-1 está sujeita à apresentação e retenção de receita médica nas farmácias.

Qual é a diferença entre Wegovy e Rybelsus?

O Brasil já possui outro medicamento com semaglutida em comprimidos: o Rybelsus, também fabricado pela Novo Nordisk.

A diferença está principalmente na indicação aprovada pela Anvisa. Enquanto o Rybelsus é utilizado no tratamento do diabetes tipo 2, a nova versão oral do Wegovy foi autorizada especificamente para o controle do peso em adultos que atendam aos critérios médicos estabelecidos.

A aprovação amplia as opções de tratamento da obesidade, doença crônica que pode estar associada a diabetes, hipertensão, problemas cardiovasculares e outras complicações de saúde.

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